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Artigo Escravos Modernos pelo Acadêmico Valmir Leôncio da Silva

Hoje, 13 de maio comemora-se o dia da libertação dos escravos. Neste mesmo dia, no ano de 1888, acontecia o fato histórico mais importante do Brasil após a Proclamação da Independência, ocorrida em 1822. Depois de muita mobilização e pressão da população negra brasileira, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, legalizando a libertação dos escravos do país.

Infelizmente o Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravatura. Por mais de 350 anos, o Brasil foi o destino de mais de 4,5 milhões de escravos africanos – foi o maior território escravagista do Ocidente, mantendo este sistema tanto no campo como na cidade – o lugar de trabalho era o lugar do escravo. Os escravos viviam à margem da sociedade e não tinham nenhum direito, apenas o de acordar cedo e trabalhar, trabalhar e trabalhar  e à noite descansar por algumas horas para recomeçar tudo novamente no dia seguinte.

O mundo perdeu, com certeza, naqueles 350 anos, vários potenciais “gênios” entre os escravos. Aliás, antes disso, não ganhou sequer cidadãos e sim um grande número de excluídos sociais. Ainda assim, mesmo naquela época ainda conhecemos figuras ímpares, como Machado de Assis, que por ser mestiço e sofrer muito preconceito racial, com acesso limitado ao ensino, tornou-se autodidata e virou um gênio de nossa literatura.

Outro exemplo de um grande brasileiro: Luiz Gama (1830-1882) foi um importante líder abolicionista, jornalista e poeta brasileiro. É o patrono da cadeira n.º 15 da Academia Paulista de Letras.Isso sem falar em Nilo Peçanha (ex-presidente do Brasil), Dandara dos Palmares, Lima Barreto, Maria Firmina dos Reis, Teodoro Sampaio, Mandela, Joaquim Barbosa, Martinho da Vila, Cartola, Alcione, Dona Ivone Lara e muitos outros que fizeram e fazem a parte da nossa história.

E hoje? O preconceito acabou? Ou está oculto em piadas, na ação policial nas periferias das grandes cidades e em frentes como vagas para emprego (maior índice de desemprego está entre as mulheres negras), e outras atitudes diárias?

Quantos gênios - ou ao menos cidadãos plenos - mais não poderíamos ter se estes não estivessem soterrados em condições precárias de existência? Brasileiros pobres, marginalizados, sem acesso à educação, à cultura e que vivem a escravidão do mundo moderno, que continua igual àquela época: apenas o dever de acordar cedo e trabalhar, trabalhar e trabalhar.

Precisamos acordar esse gigante chamado Brasil e dar voz a essa “maioria” sem direitos e sermos todos cidadãos plenos em uma nação verdadeiramente independente.

*Valmir Leôncio da Silva - membro da Academia Paulista de Contabilidade - APC