CONEXÕES ACADÊMICAS
Temas emergentes na visão dos Profissionais da Contabilidade
Conteúdo:
Data: 22/fevereiro/2024
Horário: 16h as 17h30
Local: Ao Vivo no Youtube
Palestrantes:
Ahmad Abu Islaim
Contador formado pela Universidade de São Paulo, com mais de 15 de anos de experiência em grupos multinacionais de grande porte de diversos segmentos, tais como empresas de auditoria externa (Big four), indústria e varejo (KPMG, Grupo Unigel, Grupo Carrefour, CVC e Klabin).
Ricardo Tresso Marcolino
Foi gerente de auditoria independente pela KPMG e possui experiências em empresas de grande porte como Gerente executivo da Controladoria. Também é membro de conselho fiscal. Possu9i a graduação em Administração e em Ciências Contábeis, ambos pela FECAP-Fundação Álvares Penteado.
Moderação: Acadêmico da APC Flávio Riberi
“Fraude não começa no escândalo. Começa no detalhe - em um lançamento estranho, em uma informação omitida, em uma decisão que, à primeira vista, parece irrelevante. E quase sempre há alguém que percebe. O contador”, revela Marcelo Gomes.
Foi a partir dessa realidade - silenciosa, mas decisiva - que a Academia Paulista de Contabilidade-APC, em parceria com o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo-CRCSP, realizou, nesta quarta-feira, dia 25 de março de 2026, o encontro “Quando Surge a Fraude e como o Profissional da Contabilidade deve atuar”.
O evento reuniu, no canal do CRCSP, no YouTube, os Acadêmicos: Antoninho Marmo Trevisan, Flávio Riberi, Eduardo Augusto Rocha Pocetti, Irineu De Mula, e Marcelo Alcides Carvalho Gomes, com a mediação da também Acadêmica e conselheira do CRCSP Marcia Montanholi, em um debate profundo sobre responsabilidade, limites técnicos e o papel da profissão em um momento de crescente pressão e exposição pública.
A relevância do tema se refletiu na adesão do público: cerca de 600 participantes acompanharam a transmissão ao vivo, com 259 interações registradas, evidenciando o alto nível de engajamento e o interesse da classe contábil pelo tema.
Fraude no Brasil e o papel da Academia
Ao contextualizar o tema, o Acadêmico Flávio Riberi trouxe uma leitura histórica da fraude no País e destacou a atuação da Academia Paulista de Contabilidade na construção de respostas institucionais.
“A fraude sempre esteve presente no nosso País desde os tempos de colônia”, afirmou. Ele também destacou uma iniciativa concreta da Academia: “Criamos um grupo de trabalho pensando na proteção da sociedade e no posicionamento do profissional diante do que estamos vendo no Brasil”.
Antoninho Marmo Trevisan e a pressão sobre a profissão
O Acadêmico Antoninho Marmo Trevisan trouxe ao debate as discussões recentes no Senado Federal, evidenciando a pressão crescente sobre contadores e auditores. “Afinal, falharam os contadores? Falharam os auditores? Onde estamos falhando?”, questionou.
Ao analisar casos recentes, Trevisan destacou diferenças importantes: “A fraude da Americanas foi produto de oportunidade. A do Banco Master foi planejada desde a origem”.
E fez um alerta sobre a leitura de mercado: “Os auditores deram seus pareceres com as devidas ressalvas, mas isso não foi percebido pelo mercado”.
Em tom provocativo, completou: “Será que estamos falando muito para nós mesmos e esquecendo das questões fundamentais?”
Eduardo Pocetti e o papel da auditoria
Na sequência, Eduardo Augusto Rocha Pocetti reforçou o papel estruturante da auditoria para a economia. “A auditoria sustenta o mercado de capitais no mundo”, afirmou.
E destacou que a atuação é baseada em normas rigorosas, mas exige postura ativa: “O auditor não é contratado para investigar fraude, mas precisa exercer o ceticismo profissional diante dos indícios”.
Irineu De Mula e a centralidade da ética
Também o Acadêmico Irineu De Mula trouxe um dos pontos mais fortes do encontro ao destacar que técnica sem ética não sustenta a profissão. “Não basta só ser tecnicamente correto. Falta ética, moral e responsabilidade individual”, afirmou.
E reforçou: “Precisamos continuar sendo reconhecidos como profissionais de fé pública e confiáveis”.
Marcelo Gomes e o alerta do cotidiano
Trazendo o debate para a prática, o Acadêmico Marcelo Alcides Carvalho Gomes abordou os desafios enfrentados no dia a dia da profissão. “Se você identifica um fato estranho, a norma te protege - desde que você documente tudo”, explicou.
Ele também fez um alerta direto: “Não dá para trabalhar com quem faz coisa errada. Esse cliente não me serve”. E reforçou a necessidade de postura profissional firme: “A gente precisa dar um freio de arrumação. Não dá mais para assumir riscos desnecessários”.
Entre normas e julgamento
O encontro também trouxe uma reflexão importante sobre os limites das normas diante da complexidade das fraudes. Ao longo do debate, ficou evidente que, embora fundamentais, as normas não substituem o julgamento profissional, o ceticismo e a responsabilidade individual.
Educação continuada e atualização profissional
Outro ponto destacado foi a importância da atualização constante diante de um mercado em transformação.
O CRCSP, em parceria com a Academia Paulista de Contabilidade-APC, tem ampliado a oferta de conteúdos gratuitos e acessíveis, permitindo que profissionais se atualizem de forma prática e contínua.
Uma profissão no centro das decisões
Mais do que discutir fraudes, o encontro evidenciou o papel estratégico da Contabilidade na sustentação da confiança nas relações econômicas.
Diante de um cenário cada vez mais complexo, a atuação do contador deixa de ser apenas técnica e passa a ser decisiva. Porque, no fim, a questão não é identificar a fraude - mas saber exatamente como agir quando ela surge.
Cobertura e Texto: Danielle Ruas
Edição: Lenilde Plá de Léon
De León Comunicações