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Acadêmicos da APC destacam limites da Auditoria e reforçam seu papel no combate a fraudes

A atuação da Auditoria Independente no Brasil voltou ao centro do debate diante das investigações envolvendo o Banco Master. Em audiência pública realizada na Comissão de Assuntos Econômicos-CAE, do Senado Federal, no dia 17 de março de 2026, especialistas apontaram os desafios enfrentados pelos auditores na identificação de fraudes, especialmente quando há envolvimento da alta administração das empresas.

Entre os participantes das discussões, contribuíram com reflexões relevantes sobre o tema, dois nomes de destaque da Academia Paulista de Contabilidade-APC, Joaquim de Alencar Bezerra Filho, ocupante da Cadeira nº 33 da APC, e também presidente do Conselho Federal de Contabilidade-CFC; e  Antoninho Marmo Trevisan,  titular da Cadeira nº 34 da APC, um dos expoentes da Contabilidade Nacional. 

Durante o debate, Joaquim de Alencar Bezerra Filho ressaltou  que a Auditoria Independente  “ é um instrumento poderoso de governança, mas não substitui a responsabilidade da administração. Ela não fornece certeza absoluta, mas segurança razoável, porque trabalha com teses e amostragens", afirmou o Acadêmico.

Bezerra Filho também destacou que falhas identificadas em processos de auditoria são, em muitos casos, consequência de problemas anteriores nos mecanismos internos de controle das organizações.

Outro ponto relevante levantado pelo Acadêmico e presidente do CFC foi a necessidade de ampliar o acesso dos auditores a bases de dados mais completas, como o sistema Registrato do Banco Central, o que poderia fortalecer a capacidade de análise e identificação de inconsistências.

Auditoria não substitui gestão - mas é peça-chave da governança

Na mesma linha, o Acadêmico Antoninho Marmo Trevisan trouxe uma importante reflexão sobre o papel do auditor no ambiente corporativo. Segundo ele, há uma percepção equivocada sobre a função da Auditoria Independente.

"O auditor não é policial nem fiscalizador. Seu papel é atestar a conformidade das informações com as normas e as boas práticas", explicou.

Trevisan ainda reforçou que o trabalho da auditoria está diretamente ligado à transparência e à credibilidade das informações financeiras, sendo fundamental para a confiança no mercado.

Desafios aumentam quando há envolvimento da alta gestão

Os especialistas ouvidos pela CAE foram unânimes ao afirmar que a atuação dos auditores encontra barreiras significativas quando irregularidades envolvem a própria alta administração das empresas.

Isso ocorre porque o trabalho da Auditoria depende, em grande medida, das informações disponibilizadas pelas próprias organizações, o que pode limitar o alcance das análises em cenários de fraude estruturada.

Ainda assim, os Acadêmicos reforçam que a Auditoria Independente continua sendo um dos principais pilares de proteção para investidores e para o funcionamento saudável do mercado.

O contador ganha ainda mais relevância

O debate também evidenciou a crescente complexidade do ambiente regulatório e a necessidade de profissionais altamente qualificados para atuar na área contábil e de auditoria.

Nesse contexto, a contribuição dos Acadêmicos da APC reforça o papel da Contabilidade como ciência essencial para a transparência, a governança e a sustentabilidade das organizações.

Texto: Danielle Ruas. Com informações da Agência Senado

Edição: Lenilde Plá de León

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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